Tipo raro de urticária pode aparecer após ficar muito tempo de pé (ou sentado)

Alguém já se deparou com a situação de carregar sacolinhas de supermercado nos punhos e, após um período, apresentar urticária (lesão caracterizada pela presença de vermelhidão com formação de placas na pele e coceira intensa)?

Ou sentou-se por muito tempo em uma cadeira e, após um período, notou urticária nas costas? Esse tipo de urticária chama-se de pressão tardia, e é uma forma de urticária física (resultantes de um estímulo físico sobre a pele).

Ela geralmente se desenvolve entre um período de quatro a seis horas após o estímulo – daí o nome de urticária de pressão tardia. As lesões podem durar entre 9 e 72 horas e as áreas mais acometidas são rosto, mãos, tronco, nádegas, pés, ombros, abdômen e membros inferiores.

Pode estar associada à febre, mal-estar, fadiga, calafrios, dor de cabeça e dor nas articulações, simulando um quadro de infecção. As lesões geralmente são dolorosas, podem causar uma sensação de queimação e apresentam pouca coceira (diferente das formas usuais de urticária).

Os estímulos relacionados com esse tipo de urticária incluem caminhar longas distâncias, ficar de pé por longos períodos, ficar sentado sobre uma superfície dura, carregar peso em mochilas, bolsas e sacolas, usar roupas apertadas e com elástico como alças de sutiã e cintos, manipulação dentária, beijar, ter relações sexuais, bater palmas e usar ferramentas (martelo e chave de fenda).

As causas da doença não estão bem esclarecidas. Sabe-se que há participação de mastócitos, cininas com liberação de histamina. A alergia alimentar pode atuar também como um agente facilitador do processo.

É uma doença rara, com uma prevalência na literatura de 2%. É mais comum nos homens do que nas mulheres, e o pico ocorre entre 20 a 30 anos. É uma doença crônica com duração média de nove anos, podendo ser caracterizada como uma doença incapacitante, principalmente para quem realiza trabalhos manuais.

Nos questionários sobre qualidade de vida, os índices para vitalidade, reação emocional, qualidade do sono e energia são baixos, enquanto o de isolamento social é alto.

Cerca de 60% dos indivíduos com urticária de pressão tardia apresentam concomitantemente urticária crônica espontânea (quando não se encontra a causa da urticária), dermografismo e angioedema associados. A urticária de pressão tardia pode ser agravada por ingestão de AAS, pelo calor ou no período menstrual.

O paciente deve procurar orientação com o especialista alergista para confirmação do diagnóstico, através da história clínica e, se possível, realização de testes de provocação. Ele deve ser orientado a evitar ou limitar os estímulos de pressão, mudar de posição quando estão muito tempo sentados ou de pé. Alguns pacientes necessitam de readaptação ao trabalho (mecânicos, pedreiros, estivadores e militares).

Para o controle através da medicação estão indicados anti-histamínicos (antialérgicos) que não causem sono, muitas vezes em doses elevadas, já que a resposta geralmente é baixa. Em casos mais graves podem ser indicados imunossupressores – ambos sempre prescritos por um médico.

Fonte : Minha Vida

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